Quando Katy Perry subiu ao palco na noite do Grammy Awards 2017 já se esperava uma grande performance de cunho político em virtude da conotação sociopolítica que a letra de sua canção, Chained To The Rhythm, levava. A crítica ao “American Dream“, ao fanatismo, e a hipocrisia se tornaram o principal tema do single de Perry e o desgosto da mídia estadunidense.

Não pensando em Katy como um caso isolado, Beyoncé sofreu os mesmos efeitos ao lançar sua música Formation, que, como não bastasse enaltecer a mulher, enalteceu a mulher negra e ainda tratou de política e machismo, culminando num surto da classe média branca e republicana. Outras artistas consagradas como a Rainha do Pop, Madonna, após levantar questões polêmicas como sexualidade e religião, em 2003, visando contar uma história madura, forte, mas delicada, critica o governo de seu país. Logo no single de estreia, mesmo que dá nome ao álbum, Madonna critica o governo americano dizendo, nas entrelinhas, que a guerra era um retrocesso e que a própria não seria mais uma manipulação do marketing instantâneo. Na verdade, tudo tornou-se explícito quando a cantora lançou o video de “American Life”, que seria censurado logo em seguida.

Os primeiros indícios de ódio dessa nova fase desperta de Katy, surgiram com um tuíte da revista Elle, onde alegava que “ninguém ligou para o lançamento da nova música de Katy Perry“, ao passo que a música subia no iTunes US, e tinha seu lyric video como o mais assistido do momento, além de se tornar o assunto mais comentando do Twitter. A avalanche não terminou, em seguida, outro site resolveu chamar Katy Perry de “a mulher mais triste da história“, pelo simples fato de ser uma mulher “divorciada, com 32 anos e um piercing no nariz“, revelando mais uma vez o machismo sistemático da mídia.

Como se não bastasse, a mídia que a diminuía era a mesma que a calava: enquanto Katy Perry era ovacionada por colegas, artistas e fãs após sua performance, uma minoria resolveu reportar o cunho politico de sua apresentação. Enquanto Katy era a girl next door, com sutiãs que soltavam chantili, era a capa de revistas sensuais e assunto mais falado, e já que agia como uma boneca de plástico que não responderia as objetificações, esse tipo de artigo continuou, não apenas com Katy, mas outras artistas, como Rihanna e sua “hiperssexualização“.

Infelizmente, para eles, Katy se redescobriu no movimento feminista, com o lançamento de canções como “Roar” e após aderir à campanha política de Hillary Clinton, a grande indicada para se tornar a primeira mulher presidente estadunidense. Antes mesmo, Katy já demonstrava estar acordando de profundo sono machista reafirmado pela mídia através de hits como “Wide Awake“, mas foi num período mais próximo que Katy veio a mostrar sua verdadeira resistência feminista.

Levantando sua voz para questões atuais, como a política externa adotada pelo atual presidente, Donald Trump, e seguindo a favor de  movimento de igualdade de raça e gênero, Katy Perry mostra-se, cada vez mais, desperta e solta das cordas de uma mídia sensacionalista e machista, usando sua fama para causas respeitáveis, como missões da UNICEF e marchas em prol dos direitos das mulheres, batendo de frente com qualquer um que ouse silenciar sua voz.

 

Texto escrito por: Manuela Stellet e Eduardo Siqueira.