Entrevista traduzida de Katy Perry para a Elle UK Magazine


Com apenas 28 anos, Katy, rainha dos babados, plumas e controvérsias dos anos 50, é uma das mulheres que mais arrecadam dinheiro na indústria musical, ganhando mais de 45 milhões de dólares ano passado – Mais que Beyoncé e Adele. Sua última turnê faturou 60 milhões e ela é a única artista, tirando Michael Jackson, a ter 5 singles de um único álbum no topo da parada internacional, com o seu álbum “Teenage Dream”. Seu filme, Part Of Me – um documentário no estilo de “In Bed with Madonna”, rendeu mais de 32 milhões de dólares.


Nada disso – absolutamente nada disso – aconteceu por acidente. Já entrevistei diversos ícones da música, inclusive Madonna, mas nenhum deles chegou perto do nível de Katy, se pensarmos em sua sagacidade e auto-conhecimento.


Um mês depois de lançar seu novo perfume, quando eu a encontrava numa tarde em Los Angeles, ela está determinada a encontrar a luz do Sol. Estávamos em um restaurante aberto no hotel Beverly Hills, rodeadas de palmeiras e samambaias, astros, James Corden e Jack Black, calções, barrigas doendo de tanto rir e muitas piadas.


Katy encontra um lugar iluminado na luz do Sol e então sentamos lá, sendo comunicativa o tempo inteiro – desculpando-se com um garçom ter mudado de mesa e brincando com o vestido rosa e amarelo que ela vestia.

“Mal posso respirar, está muito apertado! Minha mãe comprou pra mim, eu vi ele no armário essa manhã e pensei: ‘Tudo bem, madame’ Mas olhe!’‘ – ela aponta para seus seios – ‘Meus peitos estão aprisionados. Talvez eu não consiga falar nada!’.

Mas é claro que não há vestido justo o suficiente para deixar Katy Perry quieta. Assim como em Nova Iorque, ela sabe fazer uma entrada.

“Eu me visto bem porque quero que você goste de mim. Diria que meu estilo é uma Lolita Alternativa.”

Ela não para de flertar, sorrir – ela não consegue parar de agradar as pessoas. “Algo clássico de uma criança”, ela diz. “Pula para cima e para baixo, quer atenção, quer ser ouvida.”

Ela senta, se curva para frente e me dá um sorriso tipo, “vá-em-frente-eu-te-desafio”. “Ok, agora vamos aproveitar isto.” Ela passa direto por Russell Brand (“Eu já nadei pra bem longe daquele barco”), John Mayer (“O Amor da minha vida”) e seus planos sobre roupas íntimas (“Quero começar uma companhia onde mulheres com grande volume consigam achar sutiãs legais”).

Como suas roupas pirotécnicas, seu humor é apimentado – cheio de duplos sentidos e piadas inapropriadas de pum.

“OK, então aqui vai a prova de que nunca houve nada entre mim e Robert Pattinson. Eu peido na frente dele. Peido mesmo. E eu nunca, nunca, peidei na frente de um cara com quem estou saindo. Essa é a regra.”

Esta é a típica Katy – um jeito bagunçado de acabar com um tópico constrangedor.

“Ele é meu parceiro, sou como uma grande irmã para ele. Nós apenas saímos e nos divertimos. Outro dia eu disse para ele: ‘Uma das coisas que mais me deixa orgulhosa é que não estou dormindo na sua cama, Robert.”

Parte de mim pensa em silêncio, o inglês Robert seria um amável namorado para Katy. Mas é claro que, ela tem preferência por garotos maus, meninos bons não fazem seu tipo. Madonna uma vez me disse que ela gostava de se sentir como em uma montanha-russa com um homem, Katy parece ser desse mesmo tipo. Ela e Russell decidiram se casar com apenas alguns meses de namoro, com todas as mulheres do mundo pensando “Por favor, Deus, não!”. Depois de 14 meses de casamento, os laços acabaram – Russell enviou uma mensagem para ela pedindo o divórcio. No documentário de Katy, você pode vê-la voando pela metade do mundo para vê-lo por uma noite. Você a vê se acabando em lágrimas quando tudo dá errado. Mas você também pode vê-la pintando um sorriso no rosto para milhares de fãs por algumas horas depois, sem perder o gingado.


Eu digo que o tipo dela são homens Byronianos. “Byroniano?” ela repete. Loucos, ruins e perigosos, eu digo. Ela parece mais intrigada do que aborrecida.

“Vou me lembrar desta palavra, mas não é a certa. Os homens com quem namorei são complicados sim, mas eles também são extremamente poéticos e inteligentes.”

É surpreendente a maneira que Katy ainda se mantém no patamar de ser apenas elogios a Russell – mesmo depois das diversas piadas direcionadas a ele pelo ex-marido desde a separação.


Katy, por sua parte, recuperou sua dignidade – uma super aluna em “boas maneiras. Ela esperou as feridas cicatrizarem e quietamente seguiu em frente.

“Eu não preciso ficar divulgando tudo como se eu fosse esquentada.” ela diz. “Não estou mais com raiva. Quer dizer, posso franzir a sobrancelha aqui e ali, mas prefiro estar acima disso.”

Ela deu a entender, que há um motivo ainda mais obscuro para a separação que nenhum dos dois falou ainda. Agora, ela está namorando John Mayer. Ele é rico, mais bonito e provavelmente mais complicado que Russell. Ele é teoricamente mais letal (seu caminho de corações partidos incluem Taylor Swift e Jennifer Aniston). Será que Katy, a filha de pastores, nasceu com o desejo de salvar homens complicados? Ela diz não com a cabeça.

“Não estou interessada em enfrentar ninguém. Já sou maluca o suficiente sozinha.”

Conheci Katy pela primeira vez naqueles dias que ela ainda estava com Russell. Na época, ela estava eufórica, “cuspindo” detalhes de onde eles haviam ido, presentes que havia ganhado dele e o futuro. Ela estava otimista e extasiada. Hoje está muito diferente. Quando fala de John, é mais cuidadosa e mais vagarosa. Ela fala dele como “o amor que achei que tinha perdido”, mas é cuidadosa, não espalha nenhum detalhe, sabe que qualquer detalhe exposto deste romance, após seu último fracasso, seria de grande consumo para o público. No entanto, tal hesitação só mostra o quão real isto é.


A conversa parece ter voado e agora ela está me falando sobre como foi doloroso quando o homem que ela amava a deixou. Katy fala como todos os problemas se relacionavam com os seus de quando era criança, como a filha de pastores pentecostais. Como a separação a mudou completamente. Fui obrigado a perguntar de quem exatamente estamos falando. Ela me olha com aquele enormes olhos de desenho, perplexa por eu ter perguntado. Estamos falando, é claro, de John Mayer.


O casal se conheceu no verão passado, terminou em Fevereiro e agora está junto de novo. Oficialmente? Ela acena com a cabeça, tentando – e fracassando – não parecer ridiculamente feliz. Assim como foi com Russell, ela evita os tabloides com John.

“Não acredito em fofocas”, ela diz.

Talvez você tenha que apenas acreditar que ela não vai cometer o mesmo erro duas vezes. Talvez. John foi quem terminou o namoro.

“Ele se afastou. Foi um grande choque. Percebi que eu podia perder quem eu amava e tinha que lidar com certas coisas, problemas que eu acho que muitas mulheres têm. Você pode ser dominante em um aspecto da sua vida, mas submisso em outro. Em relacionamentos, sempre foi difícil para mim impor os limites. Acho que muito disso foi pelo medo da perda”.

É incrível como uma mulher forte o suficiente para ser bem sucedida nessa indústria, talentosa o suficiente para ter uma carreira séria e brava o bastante para sair de sua “bolha bíblica” possa estar falando de submissão. Como uma menininha, ela explica, que foi ensinada a assumir a responsabilidade por seus pecados – “havia muita introspecção moral”. Como mulher, ela leva isso á outro nível.

“Eu tive que ver minha parte em tudo. É fácil não assumir nenhuma responsabilidade – ainda mais quando acaba. Porque, assim, você está fora do jogo. Mas você não está. Se você quer que algo dê certo, você tem que mudar.”

Quando ela e John se separaram, Katy resolveu se “reprogramar”, cortando todo o álcool, café e passando a tomar 30 pílulas de suplemento á base de ervas por dia. Ela tira de sua preta bolsa Channel duas caixinhas de plástico, cada uma contendo 10 cápsulas de cores diferentes. Ela fez acupuntura e se rodeou de “bons amigos e chá verde.” Ela ri.

“Sei que isso tudo é coisa de vadia rica – bem Los Angeles. Mas eu só tentei me limpar, me livrar das teias de aranha.”

Ela colore a conversa com delicadas pinceladas, usando metáforas intermináveis, como alguém que faz muita terapia. O que, com certeza, ela faz.

“Eu sempre acreditei em terapia. Tem muitas pessoas bem treinadas por aí que podem te ajudar com problemas que você está lidando e tudo o que está por trás deles”.

Katy sabe lidar com a pressão. Assim como Gaga e Madonna, ela calcula cada palavra que diz e para quem diz. Ela deixa você se aproximar, passar dias com ela, mas nunca se expõe totalmente.

“Sou cuidadosa. Não me exponho. Eu tenho um grupo de pessoas a minha volta que me acompanham há 10 anos! Meus terríveis 10.”

Isso soa como uma gangue que você gostaria de fazer parte – até porque ela guarda cinco recicláveis caixas plastificadas com o nome de todos os seus amigos em cada uma delas.

“Sempre que faço uma limpeza em meu armário, coloco lá coisas que sei que eles gostariam de usar. Roupas, chapéus, vestidos.”

Mesmo assim, ela deixa claro que pensa por si mesma. “Alguns dos meus amigos disseram que o melhor jeito de superar alguém era arranjando outra pessoa, e eu estava tipo ‘Não! Não é! Não se exponham desse jeito!’”.

Ela nunca afogou mágoas ou se vingou com outro homem.

“Você não me vê largada em clubes. Eu não acho que nenhum homem ache isso atraente. Ele [John] estava ciente disso.”

Me pergunto se algum dos amigos dela a avisou para ficar longe de John no início de tudo. Ela também tem uma lista de melhores amigas, com quem acaba tendo, ás vezes, alguns problemas. Aterrorizada por ter sido apontada como “a outra mulher”, ela fez questão de deixar Kristen Stewart saber que os rumores de sua relação com Robert Pattinson não passavam de rumores.

“Eu mandei uma mensagem de texto para ela dizendo: ‘Eu sei que você tem visto todas essas coisas, mas sei que você sabe que eu nunca te desrespeitaria. Não sou essa pessoa. Eu só estou tentando ser uma amiga para ele, mas infelizmente tenho um par de peitos’.”

Katheryn Elizabeth Hudson foi concebida em Santa Bárbara por Keith e Mary para ser bem, bem boazinha. Os Hudsons – Katy tem uma irmã mais velha, Angela, e um irmão mais novo, David – Não podiam assistir televisão e nunca escutavam música pop. Roupas curtas eram proibidas, ir a festas era errado, comer porcarias era errado. Suas vidas apenas envolvia a igreja.


Katy tinha apenas 9 anos quando começou a cantar, foi um momento brilhante.

“Era como se tivesse encontrado um truque mágico” ela diz. “Soube que tinha algo a mais.” Estava dividida entre se mostrar e ser uma criança sensível em seu quarto, escrevendo poemas – e organizando seu guarda-roupa. “Tive transtorno obsessivo compulsivo. Eu faço coisas estranhas como abotoar tudo e organizar as roupas por cores, era uma
diversão de maneira diferente. Quando as coisas estavam fora de controle em sua infância, você se foca em outras coisas.”

Sua carreira como cantora gospel foi programada e seu álbum foi lançado em uma gravadora gospel. Porém quando tinha 17 anos, ela viu Alanis Morissette na TV. Ela foi até Los Angeles trabalhar com o produtor Glen Ballard, ganhou um contrato para poder começar a gravar um álbum e foi tida como a próxima promessa, e então foi dispensada.


Ela ficou os próximos 5 anos escrevendo músicas, pegando dinheiro emprestado dos amigos e caçando produtoras antes de firmar o segundo contrato em 2007.

“As pessoas falam que eu vim do nada mas ralei muito por pelo menos 10 anos antes de tudo acontecer,” ela diz.

Quando tudo aconteceu, aconteceu de uma maneira grandeosa. I Kissed a Girl foi um das músicas bestselling de 2008, com vendas globais de 8 milhões. Com uma batida dançante e com uma letra chocante – seus pais anunciaram publicamente sua desaprovação – parecia um sucesso anunciado. Katy abre um sorriso:

“Antes mesmo de eu começar, eu tinha tudo programado. – música após música.”

O fato dela escrever músicas a deu credibilidade; o fato dela continuar escrevendo, tudo baseado em experiências pessoais, fez sua carreira.

“Meus álbuns são minhas caixas pretas,” ela diz.

O rompimento com sua família nada mais é do que um mito dos tabloides, como seu pai a chamando de “demônio”. Sua irmã participa da tour com ela e seus pais sempre aparecem em seus shows.

“Eu tenho um bom relacionamento com eles. Poderia ser melhor mas é a mesma dinâmica como todas as pessoas. Nós amamos nossos pais mas ficamos irritados com eles. Eu respeito o que eles fizeram por mim. Eu fui criada cercada de moralidades e integridade e isso só pode ser uma coisa boa.”

Não que seus pais não sejam pregadores convencionais. Seu pai – um principiante hippie californiano que comanda uma série de tours cristãos com sua esposa, – tem um brinco na orelha, tatuagens e um estilo pregador que pode ser descrito como rock ‘n’ roll.


Um dia após a entrevista, Katy não parecia nada rock ‘n’ roll para o shoot da Elle com uma roupa de moletom e nenhuma maquiagem. Katy é um pouco quieta – “Não sou uma pessoa que gosta de acordar cedo” – e fica refletindo. Em poucas horas ela está a prestes a apresentar suas músicas novas em sua gravadora.


Em seu carro sport cinza, ela toca três de suas músicas, duas são sobre John Mayer. A primeira música, “It takes two – co-escrita por Emeli Sandé – é sobre suas aceitações pois ela teve grande parte da culpa deles terem terminado. A segunda, Unconditional, é como um hino ao amor.

“Eu escrevi essa música quando John e eu estávamos separados,” ela diz.” O fiz escutar. E consegui comovê-lo.”

Sua produtora amou suas músicas novas, ela disse após uma de suas reuniões. Como este álbum se chamará?

“O último álbum foi Teenage Dream. Minha brincadeira neste será chamá-lo de Adult Reality (me dando bem na terapia). “É difícil discordar.

Tradução e adaptação: Portal Katy Perry.
Dê os devidos créditos.

0 Comments

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira também Álbum