Foi divulgado ontem, (14), um artigo sobre a Katy no jornal New York Times, que conta com uma entrevista. Confira a tradução completa abaixo:

Katy Perry acordou. Ela quer dizer a todos sobre isso.

Srta. Perry, que lançou um novo álbum, “Witness”, diz que não quer mais ser mais uma popstar fútil como era. E quer revelar quem realmente é.

Uma série de luzes confusas piscavam pra cima e pra baixo a West Side Highway em uma Quinta-feira chuvosa em Maio. Presidente Trump estava visitando o U.S.S. Interprid, um tráfico intenso fora do Javits Convention Center, onde Katy Perry estava performando em um show privado para seu novo parceiro, YouTube. A última vez que ela esteve neste prédio foi na noite das eleições, no qual ela estava se preparando para brindar a vitória da oponente de Trump.

Para a Srta. Perry, que apoiou incansavelmente a campanha de Hillary Clinton, aquela festa no dia 8 de novembro começou “com todo mundo chique e bonito e se achando”, ela relembrou em entrevista semanas depois do show do YouTube. O humor rapidamente mudou quando começaram a dizer que a Sra. Clinton não estava a caminho – notícia que Srta. Perry, 32, descreveu como “traumatizante”.

“Foi uma revelação, foi uma contagem”, ela disse sobre a perda da Sra. Clinton. Ela começou a beber uns drinks e alcançou a pessoa mais próxima para suporte físico: Lady Gaga, que também estava lá para celebrar a eleição da primeira mulher como presidente. Lá estavam, “Gaga e eu apenas nos olhamos, e estávamos tipo, precisávamos apenas de um toque uma da outra”, Srta. Perry disse. E por um minuto, as maiores popstars do mundo deram as mãos.

Alianças não são facilmente feitas no mundo de superstars, no qual pessoas são ambiciosas demais. E Srta. Perry, que lançou seu quarto álbum de estúdio, “Witness”, no dia 9 de junho, permanece como um dos maiores sucessos da indústria, junto com Madonna, Beyoncé e Taylor Swift. Ela já vendeu mais de 6,5 milhões de álbuns e aproximadamente 71 milhões de músicas digitais nos Estados Unidos, de acordo com Nielsen Music; emplacou 14 hits no Top 10 da Billboard Hot 100; performou no Halftime Show do Super Bowl de 2015; e pousou agora como juíza do programa “American Idol”, que retornará em Setembro na ABC.

Mas ela disse que teve um despertar na noite das eleições ligado a misoginia em seu passado. E ela está se esforçando bravamente para provar que ela não é a mesma Katy Perry fútil de antes, superando seu look, sua música e seu vocabulário. Por 96 horas, a partir do lançamento do álbum, ela espalhou a mensagem de “unidade e comunicação” via um livestream sem parar chamado “Witness World Wide”, organizado em segmentos (sessão de terapia, meditação, conversa com RuPaul) no qual as palavras “lugar seguro” surgiram bastante e Srta. Perry treinou ouvindo seu próprio álbum.

Graças a inquietação de Madonna, espera-se que popstars femininas se reinventem em determinados anos, mas não há garantia que os ouvintes aceitarão essas mudanças. Para a Srta. Perry, as apostas não poderiam ser maiores: Ela acredita que está revelando seu verdadeiro eu agora. A antiga Katy Perry já era.

“Cada dia que eu penso que sei algo, o universo me mostra que eu preciso aprender uma outra lição”, ela me disse num espaço de trabalho compartilhado em Manhattan. “Então eu permaneço aqui hoje, ainda mais do que qualquer outro dia, dizendo que eu não sei nada. Eu literalmente sei nada.” (Srta. Perry frequentemente se desvia de banalidades, mas ela é consistente: Durante o livestream, ela usou uma camisa escrito “I know Nothing” para Yoga, e a frase está atualmente em sua bio do twitter).

“Eu me sinto bastante empoderada”, ela continua, “extremamente libertada, libertada do condicionamento do jeito que costumava pensar, espiritualmente libertada, politicamente libertada, sexualmente libertada, libertada de coisas que não me servem”.

Ela disse que parou de beber (por hora) em 15 de janeiro, e que vem participando de terapia em grupo com a sua família. Os pais dela são pastores Pentecostais, e a Srta. Perry, que nasceu Katheryn Hudson, foi criada em uma estrita e tradicional religião. “Eu fui ao lugar mais obscuro que eu tenho tentado evitar, e o escavei moldando-o”, ela disse. “Não foi divertido, mas eu fiz isso – eu ainda estou fazendo”.

Mudança também é o tema do pulsante do “Witness”, um introspectivo, album menos pop do que seus últimos dois CDs, “Prism” (2013) e “Teenage Dream” (2010). É seu primeiro que não possui colaboração do Dr. Luke – “Eu tive que deixar o ninho”, ela disse; ele negou comentários sobre esse artigo – mas ela continuou sua participação com o hitmaker sueco Max Martin.

E ela assumiu ainda mais o controle criativo, ajudando a trazer produtores como a dupla indie-pop Purity Ring, o compositor Dustin O’Halloran ( do tema da Amazon “Transparent”) e o músico inglês Jack Garratt para criar as melodias sonhadoras e dançantes, se não tão chicletes quanto seus álbuns anteriores. Srta. Perry sempre foi conhecida como uma artista de singles confiáveis, mas as reviews não tem sido tão amigáveis. O single melhor sucedido do álbum foi “Chained to the Rythm”, que pegou posição número 4.

Srta. Perry me disse que ela não tocou nenhuma música para a Capitol Records, sua gravadora, até umas semanas antes de nossa entrevista, que está atrasada no processo. Se a gravadora se importasse, não estaria dizendo, “Eu gosto de deixar ela livre para conseguir sua visão artística, e obviamente nós damos todo o suporte em seus projetos”, disse Steve Barnett, o presidente e chefe executivo do Grupo Capitol Music, adicionando que escolhas sobre o som e equipe dela são escolhidos por ela mesma: “Eu acho que ela conseguiu e merece isso”.

A pessoa por trás de ajudar a Srta. Perry a criar sua visão foi Lauren Glucksman, que é creditada com A&R no álbum (Ela previamente trabalhou como assistente para a cantora Ellie Goulding e fez acessoria para Banks.). “Nós tínhamos uma relação honesta uma com a outra, nós tínhamos gostos familiares, e meu trabalho era tentar traduzir o que estava em sua mente e em seu coração”, Glucksman disse. Ambas estavam escutando muita música pop eletrônica, e da maneira que a Katy explicou, ela decidiu, “Vou parar de fazer playlist e serei uma playlist.”

Nesse mundo de super fandom da internet, a coisa mais severa é entrar fundo no núcleo de apoio do artista. Os fãs estavam preocupados com o que Katy faria em “Witness”, que miraram para tirar Glucksman do time.

“As pessoas não permitem que as pessoas cresçam” Katy disse. “Eles apenas querem uma cápsula do tempo. E eles querem que sejam apenas uma coisa. E nós começamos a trabalhar isso.”

Katy Perry não precisa viver em uma casa equipada com 41 câmeras estilo “Big Brother” para estar em constante vigilância. Ela é conhecida por frustrar os paparazzis (por se vestir a mesmas roupas da Adidas quando sai de casa para fazer as fotografias menos viáveis), mas isso não impede essas cias indesejadas que a acompanham diariamente quando você é uma famosa popstar, ou namora um ator famoso que aprecia ficar nú fazendo stand up paddle. Quando ela se tornou a voz para a campanha dos Clinton, ela se tornou um alvo fácil. Porém quando ela começou a preparar a todo vapor o “Witness,” foi como se alguém da esquerda também estivesse tirando as suas facas.

Ao passar dos anos, Katy absorveu um criticismo por apropriação cultural, por ser muito sexy para participar da “Vila Sésamo”,por namorar o John Mayer. Mas nos últimos meses, a natureza um tanto errônea do lançamento de seu álbum surgiu (muitas idéias não se encaixavam, era como servir sua cabeça como parte de uma instalação artística” no Museu da Arte Americana). E os tubarões não tão agradáveis como o Left Shark do Super Bowl – começaram a circular.

Reagindo ao criticismo (Âncora do TMZ Met Ball “Katy Perry escolhe um look feio da designer Jew`Hating”) foi como “perder a cabeça” ela disse. Referindo-se ao que foi chamado “esta estranha raça ao ser acordada” e ainda adiciona “Eles querem que você escolha um lado, porém uma vez feito, e se não o faz perfeitamente, eles estão preparados a te derrubarem”.

Não demorou muito para a máquina de insultos funcionar em tempo real. Três dias antes de nossa entrevista, Katy me cumprimentou em seu camarim no programa “Saturday Night Live” onde iria se apresentar, e me interrogou com perguntas enquanto me olhava com os olhos mais penetrantes que já tive em minha vida.

No show ela apresentou seu ultimo Single “Swish Swish”com um grupo de Drag Queens e posou em uma mesa de banquete para apresentar “Bon Appétit”com o trio de Atlanta Migos. “MUITO DIVERTIDO”, Katy escreveu em seu Twitter sobre o show para seus quase 100 milhões de followers e adicionou “para minha família LGBTQ, todas as Queens & Migos por mostrar união e respeito.” Mas a internet já tinham citado Katy por diversas violações, incluindo apropriação a cultura gay e reduzindo o número de Drag Queens no palco para a apresentados do Migos, onde, em suas mentes a fizeram como a vilã.

“Intenção é tudo”, Katy me disse, repetindo um dos seus mantras. “Tudo que eu estava tentando fazer era construir uma ponte.”

Mas Katy tem a sua responsabilidade para alimentar incêndios. Em seu esforço em promocionar seu álbum “Witness” Katy participou do “Carpool Karaoke” e confirmou que “Swish Swish” é sobre Taylor Swift. A Srta. Swift respondeu retornando suas músicas nas plataformas digitais no mesmo instante que “Witness” foi lançada. Depois de toda conversa da Katy sobre feminismo e união, isso era uma briga de gatos. Mas o passar do tempo em seu live stream, ela suavizou a sua posição. Quando ela apresentou a música no final do “Witness World Wide” ela mudou a letra da música de “Não venha para mim” para “Que Deus abençoe a sua jornada.”

Para apreciar como Katy chegou a “Witness” você tem que entender a relação de seu maior álbum “Teenage Dream.” Que teve cinco hits sendo número 1, empatando com Michael Jackson o que solidificou sua imagem como uma pessoa desengonçada que canta sobre amor, festas e força interior. Sua personagem alegre mostrou o trabalho extenuante quando estava fazendo a tour, promoções em rádios e sendo uma multimilionária extravagante.

O documentário da turnê lançado em 2012 “Katy Perry: Part of Me” capturou momentos chaves: seu casamento com o comediante Russell Brand desmoronando enquanto se tornava uma grande superstar. “Eu era um pouco como um cervo nos faróis”, ela disse. “Eu estava tipo, isso acontece com as pessoas? Tipo, isso é normal?”.

“Quando as pessoas começam a falar comigo sobre o ‘Teenage Dream’, eu fico tipo, por favor, fale comigo quando tiver terminado. Eu vivi isso. Porque foi intenso. E maravilhoso e lindo, e horrível ao mesmo tempo”.

Parte da pressão permaneceu para manter essa imagem hipersexual, a qual a Srta. Perry toma a responsabilidade por ter criado. “Eu costumava ter medo de intimidade, I costumava usar minhas sexualidade como forma de chamar atenção, Eu me sexualizava tanto porque era o único jeito que eu sabia”, ela disse. (Srta. Perry, que obteve número 1 com “I Kissed a Girl”, depois explicou que ela mantém mulheres diferentes em alta estima: “Eu admiro como elas estão fazendo as coisas por elas mesmas. Não estão fazendo pelos homens”). É fácil ler sobre seu corte de cabelo drástico e novas escolhas de estilo – em seu último look no livestream estava coberta dos pés ao pescoço – como uma reação de ter usado sutiã de chantilly no passado.

Srta. Perry credita sua mudança na perspectiva de sua sexualidade – ela chama isso de “uma completa libertação sexual” – para resolver problemas com seu pai. “A realidade é que eu avaliei nas eleições”, ela disse. “Eu estava diante de um homem que não via mulheres como seres iguais. E aquilo tem sido, infelizmente, um tema comum quando estava crescendo”.

Sexismo também é espalhado na indústria da música, no qual no último ano assédio e estupros tem surgido e levados a todos os escalões – grandes executivos como L.A. Reid, grande criador e produtor Dr. Luke, bandas indie rock como PWR BTTM.

Quando ela precisa falar com alguém que vive aquilo, Srta. Perry diz que recorre a Sia, uma compositora e artista que tem tido grande controle no quanto o público vê de sua vida privada. “Eu acho que ela está constantemente desafiando suas crenças antigas sobre ela mesma e que mesmo nos dias de hoje, cortar todo o seu cabelo e ter opinião é O QUE AS PESSOAS NÃO QUEREM”, Sia escreveu por email. “Eles preferem que você faça canções pops bonitinhas e permaneça na mesma”. Ela acrescentou: “Eu me escondo por trás da peruca, enquanto ela está aí fora levando balas pelo resto de nós… A menos corajosa… você sabe?”

O que a audiência de “Witness World Wide” assistiu de Katy Perry foi o que eu passei dias acompanhando: sociável, intensa, corajosa, cativante e cheia de contradições.

Em nossa entrevista, ela se proclamou dedicada ao diálogo, mas falou em um monólogo quase ininterrupto. Ela mencionou várias vezes a internet (como o Wild Wild West, o que ocorreu diversas vezes em seu live stream toda vez que eu conectava), mas ela possui o maior número de seguidores no Twitter e permitiu que sua audiência digital assistisse ela comendo, dormindo e espalhando seu novo evangelho em um infomercial de 96 horas. Ela voltou a palavras e frases: Coisas boas são “lindas”; Um companheiro desejável é “um homem de qualidade e igualdade”(e, para deixar registrado, ela disse que Orlando Bloom era um, e Sr. Mayer e até mesmo o Sr. Brand “eram lindos da maneira deles”). Ela ainda comentou um assunto de estimação: coisas que não são “reais.

“Todas as premiações são falsas”, acrescentou, explicando que eles não representam o público. “Elas são construções”.

A antiga Katy Perry não era a construção, ela explicou, e ela não está morta. “Eu não a mato porque eu a amo, e ela é exatamente o que eu tinha que fazer”, disse ela. “E eu não sou uma escultora, eu não esculpo pessoas, era apenas eu. E isso é o que sou agora.”

O despertar de Perry foi tido como uma estratégia de marketing para “Witnes,” e seu live stream foi vender a sua autenticidade: se você escavar sob uma nova perspectiva, talvez você aproveite sua música “Power.” Enquanto há várias músicas sobre relacionamentos em “Witness” terá muitos fãs imaginando qual se seus ex ela sente mais falta mais do que ama, sete músicas lida plenamente com seu novo modo de pensar. A mais direta é “Bigger Than Me,” uma declaração de propósito semelhante ao “Man in the Mirror” de Michael Jackson (“Mas minha intuição diz que há uma missão maior que devo abraçar/ Então eu estou, estou empurrando meus pensamentos para um novo lugar”).

Embora alguns dos assuntos sejam espinhosos e emocionais, a Sra. Glucksman descreveu a realização de “Witness” como “o processo profissional mais alegre que já experimentei”. E a Srta. Perry disse que ela está mais feliz do que tudo.

“É uma partida, e é uma evolução necessária que devo levar”, disse Perry. “E eu sei que, ás vezes, parece como se estivesse arrastando blocos de cimento, mas, como as pirâmides, eram feitas de blocos de cimento – e não de cimento. Mas você sabe o que estou tentando dizer? Eu chegarei lá.”

Texto Original: NYTimes